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Início » Entrevista » Com 50 anos de carreira, Saulo Adami lança livros coletânea sobre os vales do Itajaí e Rio Tijucas

Com 50 anos de carreira, Saulo Adami lança livros coletânea sobre os vales do Itajaí e Rio Tijucas

Ele iniciou na escrita, quando atuou como repórter das sucursais de Brusque dos jornais “O Estado”, “Jornal de Santa Catarina” e “A Notícia”

Com 50 anos de carreira, Saulo Adami lança livros coletânea sobre os vales do Itajaí e Rio Tijucas

Por Redação Correio Catarinense
17 de agosto de 2026
Carlinhos Fotos/Divulgação Depois de 51 anos de carreira e 183 livros autorais publicados, Saulo Adami criou “livros coletânea” para resgatar e ampliar sua produção literária

 

As primeiras contribuições que ele deu à memória do Vale do Rio Tijucas foram escritas na década de 1980, quando frequentava as páginas de jornais diários e semanários que circulavam na região. Era o tempo no qual atuou como repórter das sucursais de Brusque dos jornais “O Estado” (Florianópolis), “Jornal de Santa Catarina” (Blumenau) e “A Notícia” (Joinville).

O tempo passou, seus primeiros livros autorais de literatura foram publicados, começando por “Cicatrizes” (1982), de poesia, conto e crônica, até chegar a “Nova Trento – Crônica Histórica e Afetiva”, escrito em coautoria com Juliano Martins Mazzola e Pe. Flávio Feler, lançado em Nova Trento dia 1º de agosto de 2026.

Seu nome é Saulo Adami, nasceu em Brusque há 61 anos, filho dos comerciantes estabelecidos no Arraial dos Cunhas, interior de Itajaí. Escritor e editor ao lado de sua mulher psicóloga Jeanine Wandratsch Adami, mora em Curitiba há 15 anos e mantém a editora Estrada de Papel em atividade desde 2019. Ele escreve desde os 9 anos de idade, em 1982 publicou o primeiro de seus 183 livros como autor e coautor, tem mais de 40 peças teatrais montadas e dezenas de filmes documentários produzidos. Nesta entrevista exclusiva, conta sobre seu trabalho e a história de seus livros mais recentes.

ENTREVISTA

1 – Correio Catarinense: Como você escolhe os livros que irá escrever?

Saulo Adami: Geralmente, sou “escolhido pelos temas”. Permaneço atento ao que acontece ao meu redor, e isso me leva a ser “escolhido” pelos assuntos que despertam me interesse. O primeiro exemplo foi o filme “O Planeta dos Macacos” (1968), que assisti na TV aos 10 anos de idade e me levou a pesquisar os bastidores da produção, a escrever mais de 10 livros, a viajar para os Estados Unidos participando de eventos na Califórnia (1998) e a entrevistar atores, atrizes e técnicos que trabalharam nos cinco filmes-sequência (1968-1973) e nas duas séries de TV (1974-1975). Inclusive, a convite do maquiador Bill Blake, fui maquiado como um dos personagens do cinema, com maquiagem e figurinos usados nos filmes pelo seu principal ator, Roddy McDowall.

 

2- Correio: Quando começou seu interesse pela história regional, e o que o levou a escrever livros sobre os vales dos rios Itajaí e Tijucas?

Saulo: Desde que frequentava a escola, nas décadas de 1970 e 1980, esperava encontrar nos livros didáticos a história de Santa Catarina, de preferência a história da cidade onde morava. Isso nunca aconteceu. A indignação me levou a preencher esta lacuna com pesquisas próprias. Desta vontade de contribuir com a memória histórica regional, e incentivado pelo historiador Ayres Gevaerd, de Brusque, comecei a coletar dados e a produzir matérias jornalísticas, colunas e cadernos especiais sobre o assunto. Chegar ao formato de livro foi uma consequência, eu diria que até “natural”. Em 2022, passei a escrever livros sob encomenda, o que abriu oportunidade para criar meus próprios selos editoriais. O primeiro livro que escrevi com este direcionamento foi “Reserva Particular do Patrimônio Natural – RPPN Chácara Edith” (2002), a convite das famílias Hoffmann e Moreli, de Brusque, a primeira unidade conservacionista da cidade. Outros livros surgiram, e os primeiros totalmente voltados às comunidades do Vale do Rio Tijucas foram: “Boiteuxburgo – A Cidade Que Um País Esqueceu” (2020), que deu origem a um documentário para cinema, lançado em 2023, e “Cancionata – A Revolta dos Colonos e o Martírio de Leopoldo Adami em Nova Trento” (2020), sobre a história do meu trisavô que veio com a família da Itália, e que em 1878 foi torturado pelo agrimensor do qual foi cobrar a medição de suas terras, que se arrastava havia três anos. O episódio rendeu um processo movido por Leopoldo Adami, ao qual tive acesso no Arquivo Público de Itajaí, por indicação do professor e colaborador Adriano Gripa.

 

3- Correio:  Foi este livro que o inspirou a escrever em coautoria sobre Nova Trento?

 Saulo: Sim, e foi também o suporte das coautorias com o professor Juliano Martins Mazzola, com quem escrevi “Nova Trento na Visão dos Viajantes” (2021), e com o padre Flávio Feler, com quem escrevi “Oratório São Roque – História e Devoção: 1896-2026”, lançado em 15 de agosto, em Nova Trento. Além de coautor, sou editor dos livros do padre Flávio desde 2023. A escrita de “Nova Tento – Crônica Histórica e Afetiva” nasceu de um convite que fiz a estes coautores, que aceitaram a cooperação e empreenderam todos os esforços necessários para que o evento do dia 1º de agosto, no Salão Paroquial São Virgílio, fosse um sucesso. E foi. A comunidade compareceu, adquiriu exemplares e nos deu ainda mais motivos para seguir em frente. Em breve, anunciaremos os próximos lançamentos, incluindo outros colaboradores.

 

“A produção de um livro reúne muitas pessoas: pesquisadores, revisores, diagramadores, capistas, fotógrafos, colecionadores, historiadores, memorialistas, profissionais gráficos e parceiros de escrita”

 

4- Correio: A Estrada de Papel tem investido na produção de “livro coletânea”. O que significa isso, e quais os outros lançamentos que vocês farão desta modalidade de publicação?

Saulo: A ideia de produzir livros na forma de coletânea é antiga. Quando foi lançado meu centésimo livro, “Estrada de Papel” (2017), que deu origem à editora (2019) e a um documentário produzido pela Griô Filmes em 2021, havia a preocupação em reeditar alguns de meus livros. Mas, reeditar um a um teria um custo altíssimo pois teria outros 99 títulos para resgatar, atualizar a ortografia, diagramar, recriar capas… Como escreveu o poeta Ferreira Gullar (“tudo o que sobrará de mim é papel impresso”), passei a repensar minha carreira, a eleger os livros que ainda gostaria de escrever e editar e de reescrever e reeditar, foi quando nasceu a ideia dos livros coletânea. Os primeiros foram: “Cidade Schneeburg – Crônica História de Brusque” (2023), com conteúdo de vários outros livros que escrevi sobre minha cidade natal; “Brüderthal – Pastor Wilhelm Gottfried Lange e os Primórdios da Igreja Morávia no Brasil”, sobre os 140 anos de fundação de Guaramirim (2026); e “Cartas do Barão” (2026), escrito com minha irmã Karina Adami, que estreia como autora de livros depois de colaborar com meu trabalho de pesquisador, escritor e editor desde 2002. Estas publicações nos deram muitas alegrias e nos motivaram a criar novos “livros coletânea” voltados para regiões de Santa Catarina e do Paraná. Seus títulos e lançamentos serão divulgados oportunamente, entre os temas estão histórias sobre as regiões de Itajaí, Blumenau e Rio do Sul.

 

5- Correio: O que mais o motiva a trabalhar com a produção de livros?

Saulo: São vários motivos, mas o principal deles é a oportunidade de buscar algo novo, revelar uma história inédita ou esquecida. Mas, principalmente, fomentar o trabalho em equipe. Para mim, escrever é uma tarefa diária, um prazer pessoal e intransferível. Mas, ninguém escreve nada sozinho, com ou sem inspiração. A produção de um livro reúne muitas pessoas: pesquisadores, revisores, diagramadores, capistas, fotógrafos, colecionadores, historiadores, memorialistas, profissionais gráficos e parceiros de escrita. Sou defensor do trabalho colaborativo desde os tempos das primeiras peças teatrais, nos anos 1970. Mas, de tudo aquilo que mais produzi, o livro ainda é minha principal motivação. É físico, palpável, tem forma, formato e aroma próprio. É resultado do que sempre imaginei produzir, desde criança, quando projetava mentalmente os temas que escreveria, os livros que publicaria, colocaria nas vitrines das livrarias e autografaria para amigos ou desconhecidos. E hoje, 51 anos e 183 livros depois dessas projeções, ainda tenho vontade de continuar produzindo. O formato de “livro coletânea” surgiu como a mais nova “fonte de inspiração”. Que assim seja!

Serra dos Alves, 2004: Saulo Adami entrevistando o líder comunitário Júlio Chefe para o livro “Agrolândia: De Trombudo Alto aos Nossos Tempos”.

Foto: Cátia Geremias/Divulgação

 

 

Brüderthal, Guaramirim, 2026. O casal de editores e escritores Jeanine Wandrtasch Adami e Saulo Adami, da Estrada de Papel, e a escritora estreante Karina Adami (“Cartas do Barão”).

Foto: Angelina Wittmann//Divulgação

 

 

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