Natural de São Paulo, Cristiana de Souza de Mario, a Cris, 36 anos, representará São João Batista no concurso Miss Beleza Negra Santa Catarina. O evento se realizará em Blumenau, no dia 24 de outubro.
Nascida em uma família humilde, filha de pais analfabetos e agricultores, ela cresceu na roça, e gosta de lembrar que não foi fácil chegar até aqui, onde teve medo, renúncias e também pessoas que quase fizeram desacreditar nos seus sonhos.
Cris é professora e, também, atua na área da beleza, profissões que permitem estar diariamente em contato com pessoas, histórias e diferentes realidades.
A trajetória para o concurso nasceu de um desejo que vai muito além de um coroa ou de uma faixa. “É uma oportunidade de representar uma história, uma identidade e, principalmente, mostrar que a beleza negra carrega força, ancestralidade, autenticidade e propósito”, destaca ela.
A participação representa também um novo capítulo de sua vida. “Um desafio que me tira da zona de conforto, me permite desenvolver minha comunicação, minha postura e minha confiança, e me desafia a ocupar espaços que muitas vezes não foram pensados para mulheres como eu”.
Ela destaca que busca viver esse processo com dedicação, preparação e, acima de tudo, verdade. Cada etapa tem sido uma oportunidade de aprender, conhecer novas pessoas, compartilhar experiências e fortalecer aquilo em que acredita: a representatividade importa.
“Para mim, ser uma mulher negra em um concurso de beleza é também falar sobre autoestima, oportunidades e sobre a importância de outras meninas e mulheres negras poderem se enxergar em lugares de destaque. É mostrar que podemos sonhar, nos preparar e ocupar espaços com orgulho da nossa história e da nossa essência”, analisa.
Cris deseja que essa caminhada tenha significado, que participação seja lembrada não somente pela beleza, mas pelas atitudes, pelo propósito e pela contribuição que pode deixar na sociedade.
“Hoje, sigo rumo ao Miss Beleza Negra Santa Catarina com o coração cheio de gratidão e a certeza de que algumas oportunidades chegam justamente para nos lembrar de quem somos e de tudo aquilo que ainda podemos nos tornar. Porque, para mim, a verdadeira beleza começa quando a gente reconhece o próprio valor e decide usar aquilo que somos para inspirar outras pessoas”, conclui.




