Cristiéle Borgonovo
Existem pessoas que não apenas vivem a história de uma cidade. Elas ajudam a escrevê-la. Em São João Batista, uma dessas histórias atende pelo nome de Waldir Feliciano Goedert, conhecido por muitos como “Gueda do Cartório”. Aos 90 anos, ele continua na ativa, mantendo uma rotina que começou há seis décadas, justamente quando a Comarca de São João Batista dava os primeiros passos.
Há 60 anos, o município passava a contar com a própria Comarca, a data mais precisamente é 10 de setembro de 1966, segundo a ata de fundação. O primeiro juiz foi Hélio de Mello Mosiman, enquanto o primeiro promotor foi Fernando Nizo Bainha (in memoriam). Era o início de uma nova etapa para a cidade. E Waldir estava lá.
Desde a instalação da Comarca, ele acompanha de perto a história do Judiciário e do serviço de cartorário de São João Batista. São seis décadas testemunhando mudanças, conhecendo gerações e vendo a cidade crescer diante dos seus olhos.
Proprietário do Cartório de Registro de Imóveis, localizado na Rua Padre Januário, ao lado da Igreja Matriz, Waldir transformou o trabalho em uma verdadeira missão de vida.
E sua dedicação impressiona. Ao longo de 60 anos de trabalho, nunca tirou férias e nunca faltou ao trabalho, segundo o relato apresentado no registro que resgata essa história. Uma marca que revela não apenas uma rotina profissional, mas uma vida inteira construída em torno do compromisso com o trabalho e com a comunidade.
Uma testemunha viva da história
Conversar com Waldir é, de certa forma, voltar no tempo. Ao longo de seus 89 anos, ele viu São João Batista se transformar. Viu ruas mudarem, famílias crescerem, novos estabelecimentos surgirem e gerações inteiras passarem pelo município.
Mas algumas coisas permanecem como testemunhas silenciosas desse passado. A poucos metros do cartório está a Igreja Matriz de São João Batista, outro símbolo da história local. A atual arquitetura da igreja levou nove anos para ser construída, sob a liderança do Monsenhor José Locks, sendo inaugurada em 1962. São 64 anos desde sua inauguração.
E há ainda um marco ainda mais antigo: o próprio município. São João Batista foi emancipada em 19 de julho de 1958, completando 68 anos em 2026.
Ou seja, quando se fala dos 60 anos da Comarca, não se fala apenas de uma instituição. Fala-se de uma cidade que foi crescendo, se transformando e construindo sua identidade ao longo de décadas.
Seis décadas, muitas histórias
A história da Comarca se mistura com a história de São João Batista. E a trajetória de Waldir se mistura com ambas.
Quando a Comarca foi instalada, ele estava começando sua caminhada. Hoje, seis décadas depois, aos 89 anos, continua trabalhando no mesmo município que acompanhou crescer.
É uma daquelas histórias que os números sozinhos não conseguem contar. 60 anos de Comarca. 64 anos da atual Igreja Matriz. 68 anos de emancipação do município e 89 anos de vida de Waldir.
São datas diferentes, mas que ajudam a contar uma mesma história: a de São João Batista. Uma cidade feita de construções, instituições, famílias e, principalmente, de pessoas.
Pessoas como Waldir Feliciano Goedert, o “Gueda do Cartório”, que atravessou seis décadas de trabalho e se tornou uma espécie de memória viva de uma São João Batista que mudou muito, mas que continua carregando consigo as marcas de quem ajudou a construí-la.
Celebrar os 60 anos da Comarca é também lembrar daqueles que estavam lá no começo. E, em São João Batista, Waldir é uma dessas pessoas que o tempo não apagou, pelo contrário, transformou em parte da própria história da cidade.



