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Início » Cultura » MEMÓRIAS DE COLÔNIA: O engenho de farinha da Família Dias (Episódio IV)

MEMÓRIAS DE COLÔNIA: O engenho de farinha da Família Dias (Episódio IV)

Os imigrantes italianos quando chegaram por aqui chamavam a farinha feita pelos indígenas de farinha de pau, por ela ser grossa demais

MEMÓRIAS DE COLÔNIA: O engenho de farinha da Família Dias (Episódio IV)

Por Redação Correio Catarinense
29 de maio de 2021
Mateus Schneider Teixeira

Mateus Schneider Teixeira (1º ano E.M.)

Há 56 anos, em 1965, a família Dias tinha um engenho de farinha de mandioca funcionando na localidade de Canudos, em Tigipió. Essa família produzia de oito a dez sacos por dia. Dentro de cada saco, eles colocavam dez saquinhos de farinha, com um quilo cada.

Para se fazer a farinha, a mandioca era descascada e sevada no rapador, que era tocado com água. Depois de ser raspada era prensada no tipiti de taquara. O tipiti é uma espécie de prensa de palha trançada, que era usado geralmente para escorrer e secar raízes da mandioca.

Quando a farinha estava seca era tirada do tipiti de dentro do cocho com a mão de pilão. Em seguida era torrada no tacho e mexida devagarzinho. Depois de mexida, era peneirada para ficar seca e bem fina. Quando a farinha estava peneirada, boa, seca e fina, era tirada da peneira para ser ensacada.

Os imigrantes italianos quando chegaram por aqui chamavam a farinha feita pelos indígenas de farinha de pau, por ela ser grossa demais. Por isso, mesmo se inspirando no processo artesanal de produção de farinha indígena, os colonos produziam a mesma farinha, só que mais fina, para que esta ficasse mais parecida com a de trigo, muito comum na Europa.

A família Dias, como outros donos de engenhos do distrito, se habituaram a farinha mais fina, e assim muitos a produzem até os dias de hoje.

 

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