Malcon Gustavo Tonini – Mestre em História

Ao longo dos anos do intervencionismo do prefeito Irineu Busnardo (1940–1945), a Praça da Bandeira (hoje Praça del Comune) foi palco de inúmeras homenagens cívicas, por diversos motivos. Comumente utilizada para festividades públicas e escolares, era frequente que pessoas desfilassem ou realizassem cortejos até os pés da Bandeira Nacional.
Um episódio marcante dessa trajetória está associado a um acontecimento de dimensão mundial, que relato neste texto.
Na manhã de 7 de maio de 1945, pelo rádio, as pessoas ouviam o noticiário enquanto aguardavam uma grande notícia. Anunciava-se ao povo brasileiro a chegada dos Aliados a Berlim, na Alemanha. Aproximava-se o fim da Segunda Guerra Mundial, conflito que, desde 1942, envolvia o Brasil, após a declaração de guerra ao Eixo em 22 de agosto, durante o governo de Getúlio Vargas.
Pracinhas neotrentinos estavam entre os cerca de 25 mil integrantes da Força Expedicionária Brasileira que, entre 1944 e 1945, desembarcaram na Itália para lutar contra forças alemãs e italianas fascistas, integrados ao 5º Exército dos Estados Unidos.
Na tarde daquele dia, o rádio transmitia o som dos sinos tocando no Rio de Janeiro em sinal de celebração. O triunfo aliado parecia certo. Por volta das 15h, em Nova Trento, organizou-se um desfile improvisado pelas ruas: estudantes misturavam-se a outros moradores, entre eles o prefeito Irineu Busnardo, o coletor de tributos João Valle e outras autoridades locais. Busnardo soltava fogos e distribuía faixas com as cores do Brasil. O padre Lidvino Santini mandou tocar os sinos da igreja matriz. A comemoração estendeu-se até a noite.
No dia seguinte (feriado local em razão da emancipação política do município) estudantes saíram das escolas trajando roupas de gala, carregando o retrato de Getúlio Vargas, e desfilaram até a Praça da Bandeira, onde o pavilhão nacional foi hasteado. João Valle e o padre Santini discursaram com entusiasmo. Crianças entoaram cânticos e poesias celebrando a paz. A Banda Musical Pe. Sabattini executava repetidamente a canção Mocidade Brasileira, acompanhada pelas vozes infantis: “Mocidade brasileira, vamos todos trabalhar, pela grandeza da Pátria e para o Brasil triunfar.”
O encerramento da festa e dessa demonstração de civismo ocorreu em frente ao Colégio São Virgílio, onde diversas fotografias foram registradas por João Valle. Apesar disso, a fotografia que ilustra esta história (narrada a partir dos escritos da pequena Angélica Sgrott, aluna do Colégio São Virgílio em 1945) não é daquele período. A imagem, pertencente ao acervo da Escola Estadual Francisco Mazzola, não possui datação precisa, mas provavelmente é da década de 1960. O que ela tem em comum com a narrativa é o fato de que aquela praça (a antiga Praça da Bandeira) guarda muitas histórias.



