Cristiéle Borgonovo
A paixão por uma profissão nem sempre nasce de uma escolha planejada. Às vezes, ela se desenvolve com o tempo, entre aprendizados, desafios e conquistas que dão sentido à caminhada. É assim que Janice Backer, de 53 anos, define a relação com a fabricação de calçados. Com 32 anos de carteira profissional assinada, sendo 30 deles dedicados à profissão de sapateira, ela construiu uma trajetória marcada pelo trabalho, pela fé e pelo amor ao que faz.
Natural de Sarandi, no Rio Grande do Sul, Janice iniciou a vida profissional na indústria calçadista ainda jovem. O primeiro emprego foi na Dakota, empresa onde permaneceu por 15 anos. Começou no setor de corte e costura e, em menos de um ano, passou para a área de montagem, na qual trabalhou por aproximadamente 14 anos. Depois, atuou por mais dois anos no setor têxtil.
A experiência acumulada ao longo desse período contribuiu para a formação profissional e preparou o caminho para uma nova etapa da vida, que começaria em Santa Catarina.
Uma mudança que transformou a história da família
Há 15 anos, Janice, o marido, Jonas Saldanha dos Santos, também sapateiro, e os dois filhos decidiram deixar o Rio Grande do Sul para morar em São João Batista, município reconhecido pela tradição na produção de calçados.
A mudança começou a ganhar forma depois que Jonas esteve na cidade para fazer uma pregação na Igreja Assembleia de Deus. Na ocasião, colegas o incentivaram a se mudar com a família, destacando as oportunidades de emprego existentes no município.
A decisão foi tomada e, quando chegaram a São João Batista, a oportunidade de trabalho veio rapidamente: no mesmo dia, o casal já começou a trabalhar na área calçadista.
Para Janice, a mudança representou muito mais do que uma nova oportunidade profissional. Foi o início de uma história de pertencimento, conquistas e gratidão à cidade que os acolheu.
O primeiro emprego no município foi na Camminare Calçados, empresa onde permanece até hoje, completando 15 anos de atuação. Atualmente, trabalha na revisão da modelagem, uma etapa que exige atenção e cuidado para garantir a qualidade dos produtos.
O trabalho que realizou sonhos
Ao recordar a trajetória construída ao lado do marido, Janice se emociona ao falar das conquistas que vieram por meio da profissão. Foi com o trabalho na indústria calçadista que o casal conseguiu comprar a casa própria, adquirir o carro da família e garantir o sustento do dia a dia. “Foi um chamado de Deus para nós. Não me vejo morando em outra cidade e nem em outra profissão. Eu amo o que faço”, afirma.
Entre as lembranças mais marcantes dessa caminhada está o período em que a família morou por pouco mais de um ano em um espaço cedido pela Camminare Calçados. Foi nessa fase que conseguiram economizar e juntar o valor necessário para dar entrada na casa própria.
Janice guarda gratidão por quem estendeu a mão naquele momento. “Nesse período, a gente juntou um dinheiro e demos entrada na nossa casa própria. Sou muito grata ao Pedro Alfredo Ramos, o Pedroca e à família dele, que nos apoiaram nesse período”, relembra.
A conquista do imóvel representou a realização de um sonho construído com esforço diário e também simbolizou a segurança que a família buscava ao recomeçar a vida em outra cidade.
“Eu gosto da minha profissão. São 30 anos na área, e para ficar tanto tempo em uma mesma área precisa realmente gostar”
O amor por uma profissão
Foi também em São João Batista que Janice viveu outro momento importante: a chegada do filho caçula, que hoje tem 13 anos. Ao longo desses anos, a cidade deixou de ser apenas o lugar onde encontrou trabalho e se tornou o lar onde a família criou raízes.
Aos 53 anos, ela olha para a própria história com orgulho. São três décadas de experiência na área calçadista, atravessando diferentes setores da produção e acompanhando de perto a rotina de uma indústria que faz parte da identidade econômica de São João Batista.
Para Janice, permanecer tanto tempo na mesma profissão tem uma explicação simples: gostar do que faz. “Eu gosto da minha profissão. São 30 anos na área, e para ficar tanto tempo em uma mesma área precisa realmente gostar”, conclui.
No Dia do Sapateiro, celebrado em 25 de outubro, histórias como a de Janice ajudam a reconhecer o valor de quem dedica anos de trabalho à produção de calçados. Por trás de cada par existe o conhecimento de profissionais que, com experiência, dedicação e cuidado, contribuem para manter viva uma atividade que movimenta a economia e faz parte da história de São João Batista.



