Quatro autores dos vales do Itajaí e Tijucas uniram-se para escrever três livros que somam 1.400 páginas e reconstituem histórias de Santa Catarina e Paraná dos séculos XIX e XX. Esta é a mais recente produção da editora paranaense Estrada de Papel, dirigida pelo escritor Saulo Adami e pela psicóloga Jeanine Wandratsch Adami. Os livros foram lançados em Guaramirim (12 de julho), Brusque (30 de julho) e Nova Trento (1º de agosto), são assinados por padre Flávio Feler, Juliano Martins Mazzola, Karina Adami e Saulo Adami. Durante os eventos, os autores falaram sobre o trabalho de resgate das memórias local e regional e autografaram suas obras.
“Nova Trento – Crônica Histórica e Afetiva”, de Saulo Adami, Juliano Martins Mazzola e padre Flávio Feler, tem prefácio do jornalista Raul Sartori, trata da fundação e o desenvolvimento do município que foi colônia de Brusque no século XIX. A obra, publicada com apoio do Sicoob-Trentocredi, resgata a obra pioneira do professor e escritor Francisco Mazzola, que teve duas edições na década de 1920, percorre com ele os caminhos primitivos da colônia e da vila, até a emancipação político-administrativa. Revisita, dentre outros eventos, a Revolta dos Colonos (1878), conflito armado que resultou na expulsão e repatriamento de imigrantes; a fundação e os conflitos registrados no Núcleo Colonial Esteves Junior, que tinha como sede Boiteuxburgo e hoje pertence ao município de Major Gercino; os relatos emocionantes e detalhados de viajantes que percorreram caminhos coloniais de Brusque e Nova Trento (séculos XIX e XX); a fundação da primeira indústria têxtil, a Tecelagem Neotrentina (1927-1972), implantada pela Fábrica de Tecidos Carlos Renaux; as terras devolutas, a contribuição dos jesuítas à religiosidade e à educação, e outros temas relevantes.
“Cartas do Barão – A Primeira História de Brusque Contada Por Seu Fundador”, dos irmãos Saulo e Karina Adami, revisita a comunicação entre o barão de Schneeburg e os presidentes que se sucederam na administração da província de Santa Catarina (1860-1867). Desde 4 de agosto de 1860, quando o barão austríaco Maximilian von Schneeburg fundou a colônia que deu origem a Brusque, pesquisadores percorrem os múltiplos caminhos de suas cartas e relatórios sobre a futura cidade implantada entre a montanha e o rio escondido. Schneeburg não teve seu nome perpetuado na denominação do município, privilégio concedido ao presidente da Província de Santa Catarina, o gaúcho Francisco Carlos de Araújo Brusque, mesmo sem ter enfrentado a correnteza do rio ou percorrido a estrada primitiva que poderia levá-lo para além do porto de Itajaí, acessando a próspera e pulsante Cidade Schneeburg.
“Brüderthal – Pastor Wilhelm Gottfried Lange e os Primórdios da Igreja Morávia no Brasil”, de Saulo Adami, reconstitui a trajetória do pastor que atuou em Brusque e região no início do século XX, quando ingressou na Igreja Evangélica de Confissão Luterana. O livro apresenta correspondências e relatórios inéditos, originalmente escritos em quatro idiomas; mapas e fotografias de acervos da Europa e do Brasil. Inclui textos exclusivos de lideranças morávias da Dinamarca (Jørgen Bøytler), Estados Unidos (Justin Rabbach) e Brasil (Mauricio Melo e Davis Siqueira Dias), e do historiador Valdinei Deretti (Arquivo Histórico Pastor Wilhelm Lange, de Guaramirim), de outros colaboradores e memorialistas de três continentes. Hoje, a comunidade do Brüderthal é vinculada à Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil.
Outros dois livros foram publicados pela Estrada de Papel. O primeiro deles será lançado sábado, 15 de agosto, às 19 horas, durante festa na comunidade de São Roque, Nova Trento. Escrito pelo padre Flávio Feler e Saulo Adami, “Oratório São Roque – História e Devoção (1896-2026)” também resgata a história da colonização do lugar e enaltece “a importância da presença dos Missionários Jesuítas no surgimento e organização da comunidade”.
O segundo livro ainda guarda confirmação da data de lançamento. Trata-se de “Tiros Rompem o Silêncio da Noite! Juiz de Londrina no Banco dos Réus”, de Paulo Roberto Hapner e Saulo Adami. O desembargador aposentado Hapner é presidente do Instituto Histórico e Geográfico do Paraná, com sede em Curitiba, e tem várias outras obras publicadas relacionadas à história paranaense, incluindo um dos temas que mais aprecia, o Contestado. No seu novo livro com Adami, Hapner aborda um crime ocorrido em Londrina, interior do Paraná, em julho de 1957, quando o juiz de direito Ismael Dorneles de Freitas matou o advogado Alcides Tomasetti. A obra reúne documentação fotográfica original e tem como base o processo judicial com citações à cobertura da imprensa.

Sr. Gorges e Pe. Presentino Rovani, capelão do Santuário de Santa Catarina, com os autores Pe. Flávio Feler e Juliano Mazzola.
Foto: Carlinhos, Nova Trento

Escritora Karina Adami fazendo sua apresentação no lançamento do livro “Cartas do Barão”, na Fundação Cultural de Brusque, dia 30 de julho, com o bibliotecário Cleber André e os coautores Pe. Flávio Feler, Juliano Martins Mazzola e Saulo Adami
Foto: Fábio da Silva Júnior




