Cristiéle Borgonovo
Se existe um amor capaz de se multiplicar a cada dia, esse é o amor de mãe. E a história de Emanuela Venier Reis, 40 anos, mostra como esse transbordar é mágico e encantador. Natural de Canelinha, ela mora há quatro anos no bairro Cascata, em Nova Trento. Mãe da Djuly, 19 anos, e Emily, 22, neste Dia das Mães também terá nos braços o pequeno Maicon Reis Filho, de apenas um mês de vida.
Casada há 25 anos com Maicon Reis, 43, também natural de Canelinha, Emanuela conta que, após o casamento, compartilhou com o marido um grande sonho: além de ter filhos biológicos, queria adotar. Na família dela havia pessoas adotadas, e ela sempre considerou esse gesto de amor algo muito bonito. “Ele me olhou e disse que também tinha esse desejo, pois também é filho adotivo. E assim fizemos”, relembra.
O casal procurou o Fórum, realizou todo o cadastro e entrou na fila de adoção. Em 1º de março de 2008, recebeu uma ligação do Conselho Tutelar de São João Batista informando que havia uma menina de 1 ano e 2 meses disponível para adoção. “Foi muito emocionante. Naquele mesmo dia, já a trouxemos para casa e me tornei mãe”, conta.
No entanto, poucos dias depois, o casal recebeu uma ligação do Fórum. Eles precisariam levar a menina de volta, pois o Conselho Tutelar não poderia ter agido daquela forma. “Foi um choque para nós. A Djuly, mesmo com poucos dias com a gente, era nossa filha. Não existia, em nossas mentes, a possibilidade de devolvê-la”, explica.
Após alguns contatos, o casal recebeu a indicação de procurar orientação do advogado Nelson Zunino Neto. “Ele nos disse que havia duas possibilidades. Uma delas era também adotar a irmã mais velha, que na época tinha 4 anos. Nós éramos leigos e inocentes nessa história, até porque foi o Conselho Tutelar que nos entregou a menina. Outro ponto forte era o fato de já estarmos na fila de adoção no Fórum”, relata.
Na época, as condições financeiras da família eram apertadas. O casal morava com os pais de Emanuela. Ela recorda que ligou para o pai perguntando se poderiam adotar também Emily. Com os olhos cheios de lágrimas, como se revivesse aquele momento, lembra da resposta que recebeu: “Minha filha, onde come um, comem dois”.
O sonho da adoção transformado em família

No dia 30 de abril de 2008, eles conseguiram regularizar a situação no Fórum e trouxeram Emily, então com 4 anos, para casa.
“Quando abri a porta e as duas irmãs se reencontraram, elas se abraçaram tão forte, ficaram grudadas. Aquela cena foi muito marcante e transformou profundamente a minha vida”, revive Emanuela, sem conter as lágrimas. Em menos de dois meses, ela se tornava mãe de duas meninas.
A chegada do pequeno Maicon Filho
Dezoito anos depois de iniciar a maternidade com as filhas adotivas, Emanuela agora vive uma nova fase ao lado do pequeno Maicon Filho. Aos 39 anos, engravidou pela primeira vez.
“Nós queríamos mais filhos, mas eu não engravidei. Os exames médicos apontavam que estava tudo dentro da normalidade. Foi tão lindo, tão mágico. Estamos amando viver essa fase”, afirma.
Além de mãe de três filhos, Emanuela também é avó. A pequena Maria Elena, de 1 ano e 3 meses, é filha de Emily. “A casa agora está com mais duas crianças e, se for da vontade de Deus, ainda quero ter mais um filho”, revela.
Para Emanuela, a maternidade é desafiadora, mas extremamente prazerosa. “Acredito que Deus quis que eu criasse as meninas e, agora, nos enviou o Maicon Filho. Assim, nos tornamos uma grande família”, conclui ela, que é filha única.




