Cristiéle Borgonovo
Para a comunidade cristã, a Páscoa representa o ápice do calendário religioso, um momento que transcende a tradição para se tornar o alicerce da fé. Em Nova Trento, o Padre Flávio Feller, vigário da Paróquia São Virgílio, detalha a complexidade e a beleza deste período, que começa muito antes da Sexta-Feira Santa e da celebração da Ressurreição.
A jornada pascoal tem como início a Quaresma. Este intervalo de 40 dias funciona como um retiro espiritual coletivo, dedicado à oração, à reflexão e à penitência. Segundo o vigário, natural de Canelinha, a graça deste período reside na preparação necessária para vivenciar os dias santos com a devida profundidade. “A Páscoa é o centro da vida cristã, preparada por este retiro que auxilia a celebrar bem a memória da Ressurreição a cada domingo”, explica o sacerdote.
O significado da palavra “Páscoa” guarda raízes profundas na história hebraica, remetendo à libertação da escravidão no Egito e à travessia do Mar Vermelho. No entanto, para o cristianismo, o conceito ganha uma nova dimensão: a alegria da vitória de Cristo sobre a morte. Padre Flávio enfatiza que a data celebra a Paixão, a Morte e a Ressurreição de Jesus.
Para os fiéis, a Ressurreição não é apenas um evento histórico, mas a prova de que Cristo permanece vivo. Este mistério representa a Vida Nova e o senhorio de Jesus no cotidiano. A passagem da morte para a vida renova a esperança e garante que a luz divina prevalece sobre qualquer escuridão.
O convite da Igreja neste período é para que a Páscoa se manifeste na vida prática por meio da caridade e da fé. O vigário destaca que o cristão deve buscar ser ‘luz no mundo’, combatendo os sinais de trevas com ações do bem.
Para quem enfrenta sofrimentos e tribulações, a mensagem pascoal atua como um farol de consolo. A certeza de que o Cristo Ressuscitado caminha ao lado do aflito ajuda a carregar o peso das dificuldades diárias. Ao citar as Escrituras, o padre recorda as promessas de coragem e presença constante deixadas pelo Messias, reafirmando que a vida, em última instância, venceu a morte, como em Marcos 16, 6 “Ele, porém, lhes disse: Não vos atemorizeis; buscais a Jesus, o Nazareno, que foi crucificado; ele ressuscitou, não está aqui; vede o lugar onde o puseram.”



